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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Birutas ao vento


Como não estou aqui só para contar histórias de clientes, vou incluir no Blog algumas histórias bizarras de funcionários e minhas também. Assim todos podem ver que bizarrices. Acontecem com todo mundo. 
E sempre servem para algum tipo de ensinamento. Fiquem atentos aos "Birutas"

As birutas verdadeiras, são usadas para saber a direção do vento, e mudam toda hora, como mudam os ventos. Por isso que pessoas insconstantes, são chamadas de Birutas.

Chamo de Birutas pra não dizer loucos pois de louco todos nós temos um pouco, mas funcionário, chefe ou colega louco ninguém merece... e eu já tive todos rsrs mas dessa vez tenho que admitir que o pior é o colega louco, pois o chefe a gente pode se demitir, o funcionário idem, mas sair de um lugar por conta de um colega é a pior sensação, na minha opinião.

Tive uma biruta limitada, talvez limitada pela falta de oportunidde, a Mô era estranha, sózinha, carente mas me adorava e eu também gostava muito dela, sinto que com ela eu cumpri um carma, afinal por mais que ela demostrasse a birutisse eu não tinha coragem de demiti-la.

Ela começou como faxineira, depois passou a office girl, era de extrema confiança e sabia ir nos bancos, conhecia o bairro todo, era rápida e tudo que fazia, fazia bem feito, mas disconfiômetro era uma coisa que ela desconhecia, por conta da carência, queria ficar conversando, perguntava milhões de perguntas e eu tentando trabalhar, ela me sugava o tempo, mas era inteligente, esforçada, fiel como um cão de guarda, eu tinha paciência, não muita mas tinha, eu ouvia um pouco e depois pedia para ela descer, lá embaixo ou ela azucrinava as colegas com tanta falação ou azucrinava as clientes sem pudor nenhum.

E não adiantava pedir pra ela parar ela não obedecia ninguém só eu, eu tinha que parar o que estivesse fazendo para tirar ela de cena. Dava broncas explicava, pedia pra ela melhorar mas ela melhorava por um tempo depois começava de novo, com o passar do tempo e a convivência com as colegas cobras, ela foi piorando e (tadinha, digo tadinha com aperto sincero não com ironia) ela queria ser amiga de todo mundo, dava presentes, comprava lembrancinhas para todas, aquilo me comovia profundamente e apesar da reclamação de todas as funcionárias, da minha irmã que na época era minha sócia, eu sempre dava um jeito de ficar com ela. Eu confiava nela e ela por incrível que parecesse naquele mar de não confiáveis, merecia.

Mas era inconveniente demais! e foi envenenada pelos maus exemplos lá de dentro, começou a perder o respeito, me tratava como se eu fosse da famíla dela, isso na frente de clientes e colegas, retrucava minhas broncas virou um inferno...

Mas ela não era má era biruta, e eu tinha pena dela, outro sentimento que é melhor não ter quando vc tem uma empresa. É difícil mas é assim. Um dia fui dar uma bronca nela por alguma coisa que não me lembro e ela saiu gritando da casa igualzinho a uma manicure, tabém biruta, que ela viu fazendo isso.

Deixei ir, e ela não me causou nenhum mal, por Deus logo depois ela arrumou um outro emprego e voltou a visitar o salão agora como "amiga" . Não sei que fim levou a Mô, mas ela se virava dentro dos seus limites e birutices, ela sobrevivia nesse mundo louco. E apesar de tudo era uma pessoa muito alegre.

Os Birutas não são maus, são apenas birutas, mas podem desestabilizar pequenos negócios. Fique atento.

Se detectar algum deles, trate com cautela, pois são sempre imprevisíveis. E com jeitinho tente se livrar dele.

domingo, 4 de agosto de 2013

A faxineira que virou depiladora


Essa história é antiga, da época que eu tinha o salão, agora tenho uma clínica de bem estar, nosso querido Chá de Beleza & Bem Estar, era o fim da linha do salão. E faz parte da minha decisão de me aprimorar na arte da depilação. É uma história triste, mas acho que serve como alerta pata quem pretente abrir algum salão ou clínica. Vamos lá.

Anacléia era analfabeta, tinha 5 filhos, foi indicada por uma depiladora minha para trabalhar no salão como faxineira. Ela limpava a casa como eu nunca vi... até os azulejos da cozinha ela limpava com escovinha de dentes, um capricho!

Mas eu não me conformava com o fato dela não saber ler e escrever, resolvi ensina-la, comprei cartilhas, joguinho de letras, ficava pelo menos uma hora por dia com ela, tentando ver se ela aprendia algo. Era muito difícil, ela já tinha uma certa idade e eu não tinha didática nenhuma... mas eu ia tentando e ela também. Devagar pelo menos o nome ela já conseguia assinar... conta ela sabia fazer de cabeça era esperta a bichinha...

Mas como em toda empresa, vassoura nova sempre varre bem, durante um tempo ela foi exemplar na limpeza, mantinha o salão impecável, comecei a dar a ela além do salário uma cesta básica para ajudar em casa afinal 5 filhos não era bolinho.Todo Natal fazíamos festinha no final do ano e eu sempre presenteava todos os filhos dela. E eu fazia de coração pois ela era realmente empenhada...

Ela ficou 4 anos comigo. Com o tempo fui ensinando ela a mexer com a cera de depilação e aos poucos comecei a ensina-la a depilar, eu e as outras depiladoras, todo mundo ajudava Anacléia. Minha idéia é que ela evoluísse, aprendesse uma profissão melhor, e ela foi aprendendo... não só as coisas boas como as coisas ruins também... conforme a empresa foi crescendo e a quantidade de funcionários aumentando também aumentaram as maçãs podres e infelizmente toda capacidade que ela tinha pra aprender também tinha para se influenciar... e Anacléia começou a mudar...

Começou a perder a humildade, a se achar..., passou a reclamar do serviço, do horário, do ganho, começou a chegar tarde, em vez de dar o bom exemplo para as novas ela foi se estragando com as más influências, foi se debandando para o lado de lá... o processo foi lento eu demorei para acreditar, mesmo porque toda a empresa estava se degringolando sem que eu percebesse. 

Na fase ruim, aquela pior de todas, ela não foi trabalhar com a massagista, ficou como depiladora, já estava fazendo clientela, eu naquele turbilhão tentando salvar as coisas, chegou num ponto que ela era a única depiladora da casa, pois a massagista levou a outra, tudo dando errado e ela veio e pediu as contas. Eu não tinha nem dinheiro pra pagar a recisão dela, fíz um acordo para pagar parcelado em 10X, ela aceitou e eu fui na tempestade por mais 9 meses, tive que aprender a depilar para não ter que contratar mais ninguém, eu estava ficando totalmente sózinha a falência já tava batendo na porta, chegou um ponto que eu só tinha uma funcionária, nova tinha entrado a 3 meses, praticamente para me ajudar a fechar. Então veio a punhalada fatal.

Quando faltava o último pagamento do acordo dela, eu estava numa situação desesperadora e atrasei 2 dias para paga-la. Recebi um telefonema anônimo dizendo que se eu não pagasse eu iria me arrepender. Não entendi mas paguei, no dia seguinte apareceram 2 fiscais da justiça trabalhista dizendo que receberam uma denúncia de que tinha gente trabalhando sem registro no salão, eu só tinha aquela coitada que estava me ajudando a fechar, as fiscais ficaram até com dó de chutar o cachorro morto, mas mesmo assim me fizeram registrar a menina mesmo sabendo que eu estava para entregar a casa. Mais prejuízo, mais dor de cabeça e tudo a troco de nada pois nessa altura do campeonato eu já estava decidida a não ter mais negócio. E foi ela que me denunciou, junto com uma recepcionista antiga. 

Acreditem ou não... tempos depois... ela me ligou em casa para perguntar se eu tinha trabalho pra ela, essa gente é caruda mesmo não? pra essa eu respondi bem mau educada que se eu a visse passando fome na minha porta junto com um cão era mais fácil eu alimentar o cão. Pelo menos eu não me arrependeria depois.

Lição: Oferecer a vara, nunca o peixe

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Como me tornei uma depiladora



É uma longa história... que pretendo contar aos poucos, mas tudo começou quando eu fui dona de uma clínica de depilação, isso mesmo uma Artista Plástica se meteu a montar uma clínica de depilação, e deu certo, por um certo tempo, mas incrivelmente... justamente quando eu estava crescendo, a empresa estava crescendo, os problemas também foram aumentando... a clínica já tinha uns 4 anos de vida, e eu brincava de depiladora com minhas funcionárias, mexia com a cera, fazia a cera, era o máximo que eu sabia de depilação, no mais eu tinha sempre 2 ótimas, que quando uma não estava a outra resolvia perfeitamente.

Mas teve uma época que contratei uma depiladora, que era ótima, mas começou depois de um certo tempo a atrasar... faltar de sábado sem avisar... começou a dar problema. Um dia... num sábado... a agenda da mulher estava lotada, as clientes já estavam chegando, a sala de espera cheia e nada da depiladora, liguei pra outra pra ver se ela podia vir para cobrir e ela não podia, que angústia que é isso... eu vendo a casa cheia de clientes e ninguém para atende-las. Cheguei na sala e disse a verdade, que ela não tinha aparecido mas que se alguma delas quisesse depilar comigo eu poderia tentar, eu já depilava as funcionárias, mas nunca tinha atendido uma cliente, eu disse que se elas não gostassem não precisavam pagar, era mais pra elas não ficarem sem atendimento.

Algumas foram embora, poucas... as outras toparam, fizeram só as coisas urgentes, tiveram paciência e todo mundo pagou...

Depois desse dia me lembrei do que meu pai díz, vc tem que saber fazer o que vc vende, fíz o curso e hoje já fazem 10 anos que eu atendo clientes como depiladora, claro que minha vida mudou, muita coisa aconteceu mas até hoje eu vivo do que aprendi a fazer com minhas mãos e foi assim que tudo começou.
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